Críticas furadas (ou não), filmes bons e ruins, opiniões, criações, pensamentos, enfim...um lugar de expressões criadas entre paredes roxas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Café...

Eu estava vagando pela internet, e fui pulando de fotolog em fotolog. Acabei caindo em um que só se tratava de café. E sim, me deu uma certa vontade de começar a gostar de café e uma frustração por nunca ter tomado um capuccino, ou qualquer coisa a base se cafeína, mas mais elaborada, ou nunca ter ido ao Starbucks.
Pode ser irônico, mas há alguns meses, eu vivia dizendo que como primeiro presente de casamento, eu iria querer uma cafeteira Dolce Gusto, da Nestlé, vermelha. Não pelo café, mas por ela parecer um robozinho gordinho, e pela música do comercial ser legal.
Enfim...neste fotolog tinha uma foto que me chamou muito a atenção, e me fez decidir que um dos objetivos desse ano é ir ao Starbucks.



Playing: Gita - Raul Seixas

sexta-feira, 30 de abril de 2010

#FILME: O Menino do Pijama Listrado (Spoilers)

"O filme é pavoroso e ao mesmo tempo maravilhoso. Nunca uma estória do holocausto tocou tão fundo na ferida"

Alemanha, 2ª Guerra Mundial. Bruno (Asa Butterfield), de 8 anos, é filho de um oficial nazista que assume um cargo em um campo de concentração. Isto faz com que sua família deixe Berlim e se mude para uma área desolada, onde não há muito o que fazer para uma criança de sua idade. Ao explorar o local ele conhece Shmuel (Jack Scanlon), um garoto aproximadamente de sua idade que sempre está com um pijama listrado e do outro lado de uma cerca eletrificada. Bruno passa a visitá-lo frequentemente, surgindo entre eles uma amizade.
Shmuel faz um pequeno trabalho na casa de Bruno, onde ele lhe dá comida, como sempre fazia quando se encontravam um em cada lado da cerca. Porém, um dos soldados do pai de Bruno chega e vê Shmuel com um pedaço de pão na mão, e por medo, Bruno diz que ele roubou.
Na próxima vez que se encontram no campo de concentração, Shmuel está com um olho machucado, em coseqüencia da mentira de Bruno, e como forma de se desculpar, Bruno propõe que ele ajude Shmuel a achar seu pai que tinha sumido dentro do campo. Shmuel empresta um "pijama" a Bruno e ele cava um buraco na terra e entra. Porém, aquele era o dia de exterminar os judeus para depois queimarem os seus corpos. A família percebe que o garoto sumiu e começam a procurá-lo por todas as partes, e simultaneamente, ele está entrando com os outros judeus na câmara de gás, totalmente desentendido do que se passa. Os soldados acham o burado que cavou e suas roupas perto da cerca, e constatam que quando os judeus foram mortos, ele estava no meio deles.

A obra-prima de 2009. Foi assim que o filme foi classificado por um crítico de cinema, e realmente não podiam ter classificado melhor.
Existem aos montes filmes que tratam da 2ª guerra mundial, holocausto, Hitler, judeus, etc, mas O Menino de Pijama é um filme comovente, trata este assunto com uma leveza sem deixar a violência (que é o principal fato do assunto) de fora do filme. Apesar de se passar aos olhos de uma criança, o filme em momento algum é fantasioso.
O final me lembrou vagamente o final de Hair, onde uma pessoa boa morre por tentar ajudar seu amigo.
A inocência das crianças é levada à tona a todo momento. Há uma parte em que Shmuel leva o "pijama" para Bruno e diz que tem um lugar que tem um monte de pijamas. Este lugar é mostrado em última cena, que na verdade é o local na frente da câmara, onde os judeus são obrigados a tirarem os seus pijamas e ficarem nus para entrarem.
Pode até ser meio clichê filmes em que assuntos sérios, graves ou violentos são tratados sob a visão de crianças, mas este é um tipo de filme que sempre será comovente, sempre nos deixará pensando sobre dias, revendo os valores da inocência, sempre nos dando aquela pontinha de vontade de esquecer tudo o que sabemos sobre coisas ruins e ficar na dúvida sobre o que acontece perto de nossas vidas.


Playing: You Learn - Alanis Morissette

#FILME: A Fita Branca (Spoilers)

"Haneke mostra mais uma vez que seu cinema não perde a força com o tempo, pelo contrário: o cineasta consegue provocar o espectador como poucos."

1913. Em um vilarejo no norte da Alemanha vivem as crianças e adolescentes de um coral, dirigido por um professor primário (Christian Friedel). O estranho acidente com o médico (Rainer Bock), cujo cavalo tropeça em um arame afiado, faz com que uma busca pelo responsável seja realizada. Logo outros estranhos eventos ocorrem, levantando um clima de desconfiança geral.
Por final, constata-se que os culpados pelos acontecimentos eram o médico e sua mulher, que fugiram e nunca mais apareceram.

Belíssimo filme, mas por um momentos parece ser um filme "mais do mesmo", exceto pela característica marcante de ser em preto e branco.
É até um tanto quanto assustador ver o relacionamento de pais e filhos, pelo exesso de rigor na educação dada a eles, onde as crianças não podem se expressar, e vivem quase como seres irracionais.
Outro fato singular, mas que pode até passar despercebido, é o narrados ter uma voz velha, rouca e cansada, quando geralmente narradores têm voz de locutores de rádio
Violência implícita é o ponto chave do filme, uma vez que todos os acontecimentos giram em torno dela, de forma peturbadora para quem asssite.
O nome do filme é relacionado à uma fita branca em que o pai, professor de educação religiosa coloca no pulso das crianças para sempre se lembrarem de suas purezas.
Bom filme, mas por vezes um pouco monótono.


Playing: I can see clearly now - Jimmy Cliff

segunda-feira, 26 de abril de 2010

#FILME: Sim Senhor (Spoilers)

"Esse é o tipo de filme que eu recomendo ver, principalmente com os amigos, pois o ponto forte do filme é valorização da amizade e como novas experiências ajudam qualquer um, até o mais rabugento dos Carl."

Após o convite de um amigo, Carl Allen (Jim Carrey) decide ir em um culto de auto-ajuda, que tem por base dizer sim a qualquer coisa que lhe aconteça ou ofereçam. Ao seguir este preceito a vida de Carl começa a mudar, fazendo com que seja promovido e conheça Allison (Zooey Deschanel), por quem se apaixona. Porém ao tentar aproveitar todas as oportunidades que lhe surgem Carl começa a notar que tudo que é em excesso pode também cansar.
Por fim, ele se decide que as vezes também é necessário dizer não, e fica com Allison.

Bom, filme...sem muito o que dizer sobre ele. Filme leve, com momentos engraçados, mas sem chegar a ser pastelão.


Playing: Eu preciso dizer que te amo - Cazuza

sábado, 24 de abril de 2010

#FILME: Menina má.com (Spoilers)

"Não deixe o fraco título em português afastá-lo do filme 'Menina má.com' ( Hard Candy), um bom filme de suspense e terror que tem tudo para agradar os fãs do gênero."

Hayley Stark (Ellen Page) é uma adolescente, que está conversando em um café com Jeff Kohlver (Patrick Wilson), um homem que conheceu pela internet. Jeff é um fotógrafo em torno de 30 anos, o que não a impede de sugerir que ambos fossem à casa dele. Lá Hayley encontra uma garrafa de vodka e começa a preparar alguns drinks, sugerindo em seguida uma sessão de fotos em que ela faria um strip-tease. Jeff se empolga com a idéia, mas logo sua visão fica embaçada e ele desmaia. Ao acordar ele está amarrado em uma cadeira e descobre que Hayley tinha colocado algo em sua bebida. Hayley começa a vasculhar a casa de Jeff, decidida a encontrar algo que o ligue a Dona Mauer, uma adolescente desaparecida há semanas. Mas caso não encontre alguma prova nem ele queira confessar, Hayley está decidida a usar outros meios para conseguir a informação que deseja.
Hayley tortura Jeff, simula uma circuncisão, joga alveijante em sua boca quando ele pede por socorro, faz uma pressão psicológica sem igual e por fim, chama sua namorada à casa e propõe que ele se mate enforcado e saia de vítima na história ou que ela tire a roupa e mostre quem ele realmente é, se fazendo de vítima desta vez. Então, ele escolhe se matar.

Pouco assitido, pouco comentado, pouco divulgado. Infelizmente existem muitos filmes bons na mesma situação. Um bom fator para a falta de sucesso de "Menina Má.com" pode ser justificado pelo título nada atraente. Impressão que se dissipa quando assistido, onde o espectador fica com aquele frio na barriga em imaginar a próxima cena ou acontecimento.
A princípio, o filme nos passa a impressão de que será mais um filme monótono, por ser encenado em sua grande parte por apenas dois personagens (Hayley e Jeff).
Seu jogo de câmeras ajuda muito na trama do filme, pois elas ocilam entre passadas rápidas da câmera ou cenas lentas, nas horas de mais tensão, mas sempre focada no rosto e na feição dos atores, o que exige mais domínio de emoções da parte deles. São raras as cenas em que aparecem mais de uma pessoa.
A atriz principal, sim, é a mesma de "Juno", pois em uma pesquisa sobre este filme, estava escrito que ela também havia protagonizado "Menina Má.com", e as críticas sobre este eram ótimas.
Por muitas vezes, o espectador não se dá conta de que lado ele está: do lado de Jeff, que fotografava pré adolescentes semi nuas, se aproveitando de sua profissão, ou de Hayley, que com sua tortura física e psicológica está fazendo justiça com as próprias mãos?
"Menina Má.com" mostra os dois lados sa moeda, faz quem assite refletir sobre os valores de cada personagem e mostra torturas sem apelar para imagens fortes.


Playing: Traveler in Time - Blind Guardian

terça-feira, 20 de abril de 2010

# FILME: Juno (Spoilers)

"Apesar de tentar ser mais do que é em diversos momentos, o filme desperta risadas e consegue emocionar sem apelar para o melodrama, além de trazer uma trilha sonora deliciosa."

Juno MacGuff (Ellen Page) é uma jovem de 16 anos que acidentalmente engravidou de Paulie Bleeker (Michael Cera), um grande amigo com quem transou apenas uma vez. Inicialmente ela decide fazer um aborto, mas ao chegar na clínica muda de idéia. Junto com sua amiga Leah (Olivia Thirlby) ela passa a procurar em jornais um casal a quem possa entregar o bebê assim que ele nascer, já que não se considera em condições de criá-lo. É assim que conhece Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal com boas condições financeiras que está disposto a bancar todas as despesas médicas de Juno, além de dar-lhe uma compensação financeira caso ela queira. Juno recusa o dinheiro para si, mas decide que Vanessa e Mark ficarão com seu filho.

Em primeiro lugar: essa trilha sonora não existe, de tão perfeita (e sim, é ela que eu estou ouvindo). Em segundo lugar: Uma coisa que definitivamente não existe em Juno é clichê. Agora, juntando os dois fatos, filme adolescente com ótima trilha sonora e sem clichês, não tinha como não dar em outra coisa se não um filme excelente.
O filme em si é uma garota de 16 anos que engravida indesejadamente, pensa em abortar, mas desiste, então resolve dar o filho para um adorável casal. O casal se separa, e ela tem o bebê, que fica com a mulher (Vanessa).
Mas é muito mais do que isso. Trata-se de um tema polêmico e difícil de lidar. Uma realidade que qualquer menina adolecente pode se encaixar, exceto pela naturalidade com que os pais recebem a notícia de sua gravidez. Geralmente a última reação de pais nesta situação é tranquilidade. Um ponto singular é que Juno não é rica, não é belíssima, usa roupas confortáveis, tem um pai casado com outra mulher, tem uma melhor amiga, um melhor amigo, que por um deslize é o pai de seu filho, e uma vida completamente normal.
Acho que nos desacostumamos com filmes adolescentes simples, e interessantes. Na verdade, o próprio soar de "filme adolescente" já traz aquela impressão de jovens querendo sexo, líderes de torcida, garanhões da escola, loiras populares que só gostam de pessoas do seu próprio grupo, etc. Juno foge de toda e qualquer babaquisse adolescente.
O seu ponto mais marcante é como ela lida friamente com o fato de estar esperando um bebê. Como disse, "é como estar doente". Uma forma muito única de tratar um assunto tão sério e que deixa muitas jovens mamães sem dormir durante dias.
Este com certeza é aquele tipo de filme que toda situação com que você se deparar vai lembrar alguma cena, alguma música, ou o jeito de alguém que estava nele. Seu ar de filme europeu e suas marcas registradas (como as cenas ou estações do ano, que aparecem escritas em formato de desenho) são realmente de encantar.
P.S.: Já falei que a trilha sonora é excelente?


Playing: Tire Swing - Kimya Dawson

# FILME: A mulher Invisível (Spoilers)

"A Mulher Invisível tem uma trama bem amarrada e cheia de sacações. É um sinal claro de vida inteligente no cinema e no humor nacional. E a certeza de que cada um - do seu jeito - 'é solidão em busca de companhia'".

Pedro (Selton Mello) ainda acredita no conceito do casamento, enquanto que Carlos (Vladimir Brichta) não aceita a possibilidade de que um homem passe toda sua vida ao lado da mesma mulher. Os dois são colegas de trabalho em uma sala de controle de tráfego da prefeitura, onde podem bisbilhotar à vontade a vida das pessoas. Um dia Carlos fica preocupado com o amigo, devido ao estado depressivo dele ao ser abandonado por sua esposa, Marina (Maria Luísa Mendonça). O mesmo acontece com Vitória (Maria Manoella), vizinha de Pedro, que testemunha silenciosamente seu drama através de um buraco na parede. Até que subitamente alguém bate na porta de Pedro. Trata-se de Amanda (Luana Piovani), sua nova vizinha, que veio apenas lhe pedir açúcar. Com um jeito inocente e ao mesmo tempo sedutor, ela muda a vida de Pedro. Só que tem um problema: Amanda é invisível, sendo que apenas aqueles que a desejam muito consegue enxergá-la.

Infelizmente o brasileiro tá pegando a mania de estranhar quando assistem um filme nacional que o roteiro não seja a seca e a difícil vida no Nordeste ou a difícil vida na favela e a relação policial-bandido. Ou estranha mesmo quando assiste a um filme e se dá conta que não ouviu um barulho de tiro ou um palavrão. Enfim...assim somos nós.
A Mulher Invisível é um filme simples, porém com uma história um tanto peculiar.
Tem sacadas legais, há vários momentos em que o filme parece que vai terminar ali e continua. Merece seus devidos méritos, Selton Melo, claro. Além de ser um ótimo ator, ele consegue perfeitamente fazer as cenas em que está com Amanda, mas ela não aparece, como na cena da balada, ou do cinema. Também merece destaque, Fernanda Torres. Seu papel é bem minimalista, mas o diretor foi inteligente em colocá-la, pois mesmo fazendo poucas cenas, ela consegue dar um humor incontido nas cenas em que aparece. É como se as cenas em que ela aparece fosse um agrado ao espectador.
O desenrolar do filme é interessante. Pedro consegue tirar Amanda da mente e escreve um livro sobre o acontecido. Porém, Vitória, que ouvia sua vida pela parede do apartamento há 6 anos, aparece na vida dele exatamente como Amanda, e ele começa a achar que ela é invisível também. Então pede para Carlos checar se ela existe, mas ela já era alguém que Carlos admirava. Acontecem coisas, eles dois se enfrentam na frente dela e a obrigam a fazer a escolha, então ela vai embora e se muda de cidade. Três anos depois, Carlos, já casado encontra Pedro e lhe dá o endereço de Vitória (na qual ele publicou um livro com seu nome), ele vai e encontra o livro em sua mesa, e sim, tudo termina com um happy end.
E por fim, merecidamente o filme está concorrendo a um dos melhores filmes do Cinema Brasileiro 2010.


Playing: I'm Sticking With You - Velvet Undergound